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quinta-feira, 22 de janeiro de 2015
Cuidado
Quando a gente se doa demais, corre o risco de se anular.
Quando a gente sempre está presente, quando basta um telefonema e já vamos correndo ajudar, quando estamos sempre dispostos, a gente corre o risco de se anular.
Quando o outro é mais importante do que nós mesmos, quando amamos tanto o outro que nos esquecemos de nós, a gente corre o risco de se anular.
E quando a gente percebe isso? Normalmente, quando já passou muito tempo.
Então, a gente começa a tentar retomar nossa vida, nossas vontades, nossos sonhos, nossos desejos.
E as outras partes, as outras pessoas que sempre nos tiveram tão dispostos, tão prontos a ajudar, começam a ouvir os nossos “nãos” e nossas verdadeiras opiniões.
Começamos então, a ouvir coisas como “nossa, você não era assim”, “como você mudou”, “eu te fiz alguma coisa?”.
Porque quando a gente se anula, a gente não se anula só pra gente.
A gente se anula perante o outro também. O outro não nos enxerga, porque não nos valorizamos, não nos atemos às nossas necessidades e vontade.
Quando a gente se anula, o outro não sabe que existimos, não considera nossos sentimentos, apenas nos usa.
Mas quando damos nossas caras, quando nos defendemos e agimos por nós mesmos, o outro lado, o lado que sempre teve tudo o que quis, se incomoda.
E o incômodo indica que, na verdade, o outro nunca enxergou quem somos, só enxergou o que podíamos oferecer.
Quando a gente se anula, de forma sistêmica, regular, permanente, a gente é usado, de forma sistêmica, regular e permanente.
terça-feira, 14 de janeiro de 2014
O futuro que não foi
Acho que é muito "mimimi", colega. As pessoas estão dizendo que não podem ver imagens de santos, porque não acreditam em santos nem em imagens.
As pessoas não podem conviver com pessoas com crenças diferentes, simplesmente porque as crenças são diferentes.
Mas as crenças eram diferentes há vinte anos e as pessoas simplesmente se respeitavam.
Não havia esse monte de "tribo", que briga por seu espaço.
Havia respeito e consideração, porque quase ninguém batia na porta da minha casa num domingo de manhã pra tentar me fazer uma lavagem cerebral e me convencer de que estou no caminho errado, simplesmente porque meu caminho é diferente do deles.
Acabar com a cultura, com o nosso folclore por conta de religião, seja ela qual for, é muito "mimimi", é muito preconceito, é muita falta de consideração para com absolutamente tudo: história, liberdade de expressão, liberdade de crença, respeito pelo próximo e por aí vai.
Mas acho que o pior, é que estão se esquecendo mesmo é de Deus, Jeová, ou seja lá o nome que se queira dar pra essa força maior que nos guia a todos.
As pessoas estão se atacando, se segregando, se desrespeitando e se perdendo por causa de um monte de coisas que um pastor (que é um ser humano, portanto, não é perfeito) diz e elas tomam como verdade plena, absoluta e única.
Me entristeço quando vejo amigos meus sendo "engolidos" pelas "religiões".
Me entristeço quando noto essas nossas perdas de cultura e de folclore porque não se pode mais expor nada, pra não ofender o outro. Esse monte de "mimimi" está criando um monte de tribos intolerantes e incoerentes.
Depois da década da globalização, estamos vivendo na década da "tribalização" e, infelizmente, isso não está me parecendo muito positivo.
Parece mesmo que regredimos.
Todo mundo sai às ruas clamando por igualdade e tolerância, mas estão todos mais intolerantes.
Me choco, realmente, com reações de aversão gratuita, baseadas simplesmente em "tribos diferentes" da minha.
Achei muito legal a globalização, com um monte de informações e culturas diferentes. Mas parece que não temos maturidade suficiente pra lidar com esse monte de informação e estamos utilizando da pior maneira possível.
Não estou dizendo que há vinte anos vivíamos no paraíso, colega. Mas posso dizer que era um mar de rosas sim, porque tinha seus espinhos.
Mas pode ter sido o julgamento dos meus olhares adolescentes, talvez.
Não vi a moda faroeste do "olho por olho, dente por dente" tão presente lá naqueles tempos quanto vejo agora.
Ou... pode ser que eu tenha sonhado, naqueles tempos, que o tempo de agora seria muito melhor e fico sentindo falta do que não foi.
quinta-feira, 18 de abril de 2013
Será que pode?
Onde começa a individualidade e onde começa a possibilidade de postar tudo instantaneamente na rede?
Sua liberdade de expressão oprime a minha decisão de me expor, e isso pode?
Onde termina a hipocrisia nessa atualidade tão virtual?
Como fica a educação das crianças quando tudo é permitido na sociedade?
Como as crianças diferenciarão o que realmente podem fazer do que as pessoas dizem que elas podem fazer?
A distância entre a realidade e o mundo virtual é tão pequena que se confunde.
As pessoas têm mais coragem online e se escondem na vida real.
Os movimentos online são incontáveis... e na vida real... tudo continua na mesma, ou até mesmo, piorando.
As vidas reais estão tão monótonas e vazias que é preciso postar "check-in em Starbucks near the Office".
As amizades são tão virtuais que os smartphones tomaram o lugar do silêncio das nossas mentes. Tomaram aquele tempo que as pessoas usavam pra pensar em suas vidas, em como fariam para concluir suas tarefas do dia, em como surpreender as pessoas amadas, em coisas em que é preciso pensar de vez em quando.
A proximidade que a tecnologia poderia trazer está transformada em distância.
Uma distância segura. Segura o suficiente pra que não seja necessário interagir pessoalmente com ninguém.
Mas uma distância que fere, porque promove a solidão, o egocentrismo cada vez mais enraizado e consentido.
E o egoísmo que move a indelicadeza de não mais largarem os smartphones durante uma conversa com pessoas reais, de verdade, ali, sentadas frente à frente! Ah... isso está tão comum!
Onde começa a individualidade e onde começa a possibilidade de postar tudo instantaneamente na rede?
Sua liberdade de expressão oprime a minha decisão de me expor, e isso pode?
Será que pode mesmo, o seu espaço invadir o meu?
Será que pode mesmo?
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